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24 / jan

Entenda o que são eclâmpsia e pré-eclâmpsia

Durante a gravidez, o organismo da mulher atravessa inúmeros processos para se tornar apto a gestar uma nova vida no ventre ao longo de 9 meses. Características físicas, hormonais e psicológicas assumem novos comportamentos especificamente no período gestacional. Existem também doenças exclusivas da gestação humana, como a pré-eclâmpsia e a eclâmpsia, que podem aparecer a partir das 20 semanas, no trabalho de parto ou no pós-parto e simbolizar um grande perigo para a saúde da mãe e do bebê. Entenda mais sobre os dois quadros e saiba como se prevenir:

  • PRÉ-ECLÂMPSIA

A gestante com hipertensão arterial acompanhada de alta concentração de proteína na urina (proteinúria) durante a segunda metade da gestação apresenta um quadro de pré-eclâmpsia. Quando severa, a pré-eclâmpsia também pode causar danos nos rins, fígado, pulmões ou cérebro. Sua origem costuma estar relacionada a problemas no desenvolvimento dos vasos sanguíneos da placenta no início da gravidez, quando está se fixando no útero. A placenta cresce acompanhando o avanço da gravidez, mas sem a vascularização adequada a circulação sanguínea se torna insuficiente e leva a um estado de sofrimento. Este estado de alerta joga uma série de substâncias na corrente sanguínea materna, despertando uma reação imunológica que acaba por desregular a pressão arterial da mãe.

A pré-eclâmpsia ocorre em cerca de 10% das gestações e é mais comum em gestantes com menos de 18 ou mais de 40 anos, com hipertensão prévia, portadoras de doenças auto-imunes, em casos de gravidez múltipla ou com histórico de pré-eclâmpsia na família do pai ou da mãe. É importante não confundir a pré-eclâmpsia com apenas hipertensão gestacional: o primeiro quadro está sempre acompanhado de excesso de proteína na urina, podendo ser identificado via exame de urina. Um rápido avanço do inchaço nas mãos e rosto, para além do inchaço comum da gestação, também pode ser indicativo de pré-eclâmpsia. Casos graves podem despertar cefaleias, visão borrada, confusão mental e até mesmo convulsões – neste caso, já beirando o quadro de eclâmpsia. Para o bebê, as complicações incluem privação do crescimento fetal, descolamento antecipado da placenta e parto prematuro.

O tratamento para pré-eclâmpsia consiste em acompanhamento intenso, em constante controle da pressão arterial com medicamentos adequados para a gestação, optando inclusive pela internação da gestante nos casos que exigem monitoramento intensivo. A indução do parto é a única solução efetiva. Em alguns casos, é possível postergar o parto até próximo das 40 semanas, considerando o estado de saúde da mãe e do feto; em outros, a indução se faz necessária mesmo com pouca idade gestacional e causa prejuízos ao feto. Não existem muitas maneiras de prevenir a pré-eclâmpsia – a recomendação é de sempre manter hábitos saudáveis na gestação, com alimentação balanceada, prática de atividade física e monitoramento do ganho de peso.

  • ECLÂMPSIA

Ao contrário do que os nomes sugerem, a eclâmpsia não se trata da evolução da pré-eclâmpsia: é, na realidade, uma manifestação mais severa da pré-eclâmpsia, caracterizada pela presença de uma ou mais crises convulsivas, sendo a manifestação mais grave de hipertensão gestacional. Mas nem toda mulher com pré-eclâmpsia severa vai manifestar sintomas de eclâmpsia, não existe uma linearidade entre as duas doenças. Sua principal característica são as convulsões que, em geral, aparecem durante o trabalho de parto ou dentro das 48h seguintes ao parto. Dor de cabeça constante, visão embaçada ou escurecida, diminuição da vontade de urinar e inchaço acentuado são sinais que também costumam se manifestar no quadro, além da pressão arterial muito elevada. Pode inclusive levar a sangramento vaginal e coma.

O principal fator de risco para eclâmpsia é a hipertensão arterial, seja ela crônica ou específica da gravidez. Mulheres obesas, diabéticas, portadoras de lúpus, na primeira gestação, com idade superior a 40 anos, em gravidez múltipla ou com histórico familiar de hipertensão são mais propensas ao quadro. A manifestação da eclâmpsia é indicativo imediato para indução do parto (depois de se estabilizar o quadro de saúde materno), independente da idade gestacional. Diferentemente da pré-eclâmpsia, onde é possível monitorar e postergar a indução para mais próximo das 40 semanas (em alguns casos) priorizando o parto normal, a eclâmpsia está, em geral, associada à cesariana (pois a crise representa um grande risco de morte para a mãe).

A única medida preventiva contra a eclâmpsia é o controle rigoroso do quadro de pré-eclâmpsia. Para estas gestantes, recomenda-se repouso, dieta livre de sal e monitoramento constante da pressão arterial.

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