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28 / fev

Como melhorar o cotidiano do portador de Alzheimer

Alzheimer é uma doença neuro-degenerativa que leva à progressiva redução da capacidade cognitiva do indivíduo, causando impactos em sua personalidade e comportamento. O Alzheimer costuma passar despercebido durante os estágios iniciais, e seus sinais são associados à “velhice” – sintomas como perda da memória recente, dificuldades de fala, desmotivação, mudança de humor constante ou desorientação quanto às horas ou dias da semana já podem ser indicativos da doença. Os sinais ficam mais alarmantes no estágio intermediário, quando o paciente passa a não conseguir gerenciar sua vida sozinho: precisa de ajuda na higiene pessoal, se perde dentro ou fora de casa, repete questionamentos e, geralmente, cria grande dependência de um parente ou cuidador. O Alzheimer em estágio avançado costuma levar à inatividade completa, com perda da capacidade de comunicação, de reconhecer amigos ou familiares e de entender o que acontece ao seu redor. Incontinência urinária e fecal, dificuldade para caminhar e deglutir alimentos também podem ocorrer.

De acordo com a Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), aproximadamente 6% de todos os brasileiros acima dos 60 anos de idade convivem com a doença. Apesar de não existir cura para o quadro, é perfeitamente possível que o indivíduo diagnosticado com Alzheimer viva feliz e ativo – desde que a abordagem e o acompanhamento realizados sejam completos e responsáveis. Se você convive com alguma pessoa nesta condição e quer proporcioná-la mais qualidade de vida, confira algumas dicas de como melhorar o cotidiano do portador de Alzheimer:

SERIEDADE COM O TRATAMENTO

As medicações específicas para Alzheimer ajudam a retardar o avanço da doença e a controlar comportamentos como agressividade e agitação. É extremamente importante que os remédios sejam administrados de acordo com as orientações do médico para que os tratamento seja bem sucedido. Recomenda-se que o acompanhante do paciente se responsabilize pela administração medicamentosa, para evitar o esquecimento ou a ingestão de superdosagens.

ROTINA E MOVIMENTAÇÃO

Pacientes com Alzheimer ficam mais confortáveis quando há um planejamento definido para cada dia. A organização das atividades estimula a independência e traz mais lucidez para o desempenho de cada atividade proposta. Dentre as atividades diárias, é importante incluir exercícios físicos: são estimulantes e ajudam a manter o paciente ativo e disposto. Recomenda-se apostar nas atividades já conhecidas pelo idoso ao invés de ensinar algo novo, e lembre-se de ajudá-lo apenas quando necessário.

MEMÓRIA E SENSO DE LOCALIZAÇÃO TEMPORAL

Como a memória é uma das principais funções afetadas pelo Alzheimer, uma boa ideia é utilizar álbuns de fotos familiares e músicas com valor afetivo para ativar a memória do paciente acerca de sua própria história. A disposição dos objetos da casa também ajuda: evite reorganizar os móveis, as roupas do guarda-roupa ou mudar a decoração dos ambientes, para não intensificar a sensação de deslocamento da realidade. Como o avanço do Alzheimer também compromete a noção de tempo, é recomendado manter um calendário por perto para que o idoso se localize temporalmente.

EXERCÍCIO PARA O CÉREBRO

O estímulo cognitivo é a principal forma de combater a neurodegeneração. Atividades como quebra-cabeça, jogo da memória, dominó, ler jornal e até mesmo as fotografias antigas ajudam a aguçar a linguagem, a memória e a atenção do paciente. Exercícios cognitivos em grupo, orientados por terapeutas ocupacionais ou enfermeiros, também são indicados.

COMUNICAÇÃO ADEQUADA E SOCIALIZAÇÃO

Nunca trate o paciente como um bebê ou se refira a ele como se não estivesse no ambiente. A pessoa com Alzheimer se sentirá ainda mais debilitada se perceber que está sendo tratada como inválida. Seja sempre objetivo na comunicação, olhe nos olhos e aguarde pela resposta, sem interrupções. Se o paciente se mostrar muito confuso com a conversa, não insista. Isolar o idoso de seu convívio social aumenta a propensão para comportamentos depressivos e acelera a perda das capacidades cognitivas. Leve-o a aniversários de familiares, convide-o para passear na padaria ou no jardim – evite apenas locais muito cheios e barulhentos, que podem despertar comportamentos agressivos.

PERIGOS EM POTENCIAL

Os medicamentos utilizados no tratamento do Alzheimer comprometem o equilíbrio e aumentam o risco de queda. Por isso, é essencial garantir que qualquer obstáculo em potencial seja retirado das passagens. Atenção para tapetes e desníveis; muletas ou andadores devem ser considerados nos casos de maior instabilidade motora. Também recomenda-se trancar armários com objetos perigosos e sempre acompanhar o paciente em atividades culinárias.

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